O que mudou na minha vida quando comecei a escrever

Pouco tempo depois de me mudar para o meu apartamento, uma das perguntas que mais me fizeram foi: “você não se sente sozinha?”. E eu, ainda deslumbrada com a nova experiência, respondia de imediato (e com um certo ar de estranheza): “não, nem dá tempo de me sentir sozinha, eu to sempre fazendo um monte de coisas”. Em meio a estas perguntas, uma amiga disse: “uma hora você vai se sentir sozinha, isto aparece com o tempo”. Mas eu não acreditei, achei que talvez ela tivesse falado aquilo por uma questão de carência.

Até que, muitos meses depois, o tal sentimento de solidão apareceu pra mim também. E foi a partir daí que comecei a olhar para ele e a aproveitar o meu tempo para escrever – o que é um luxo, não é? 

A curiosidade me levou até o journaling

Eu não sabia como começar, na verdade. Eu escreveria sobre o que? Seria um diário? Eu me senti um pouco sem rumo, então fui pesquisar sobre o assunto.

Ao conhecer um pouco mais sobre o que significa journaling, eu logo me senti super empolgada pra colocar em prática aquele novo universo que tinha acabado de descobrir. Providenciei um caderno, algumas canetas coloridas, adesivos, e lá fui eu! E, desde então, tem sido incrível refletir sobre tantos pensamentos que me invadem em um dia, organizá-los em forma de texto e me enxergar com uma clareza maior.

Relembrar coisas importantes que eu esquecia de registrar

Aprendi que não existe uma regra quando o assunto é journaling, ou seja, você pode escrever aquilo que mais faz sentido pra você. Pode ser que você queira começar escrevendo qual a intenção para o dia, seguida de uma frase de reflexão, tarefas, e agradecimento por mais um dia de vida. Ou pode ser que você queira escrever no fim do dia para refletir sobre tudo o que aconteceu e o que você pode fazer para o dia seguinte ser melhor, por exemplo.

Eu tenho feito mais ou menos da primeira forma. Além disso, incluí algumas seções no meu caderno que acho que tornam a experiência mais rica: a primeira é “a palavra do ano” – defino qual será a minha palavra para eu focar naquele ano; depois, tenho a seção “como cheguei até aqui”, em que escrevo sobre diversas experiências de vida que adquiri até aquele momento; seções dedicadas a colar lembranças do que aconteceu em cada mês, como ticket de entrada em show, cinema, exposição, etc., e fotos com amigos/família. Com certeza, vai ser maravilhoso relembrar tudo isso no fim de cada ano!

Acho que é comum que a gente esqueça de pensar no tanto de coisas boas que temos e o tanto sonhos que já realizamos, de coisas que já conquistamos, de momentos incríveis que vivemos e o quanto devemos ser gratas por tudo isso. Posso dizer que o hábito de escrever tem sido incrível não simplesmente para preencher alguns momentos de solidão, mas principalmente para me fazer lembrar do quanto a vida pode ser maravilhosa, dependendo de como olhamos para ela e para nós mesmas.

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